Eu tenho umas botas velhas e feias

A minha cabeça anda sempre a fugir aos meus pés. Onde os meus pés estão, a minha cabeça não está. Onde a minha cabeça está, é onde eu quero que os meus pés me levem.

Tenho umas botas velhas, botas já feias até. “Devias ter vergonha de andar com essas botas”, é o que me dizem.
Estas botas já andaram perdidas em aeroportos, já entraram em carros de pessoas desconhecidas, já andaram de barco, de avião e de mota. Uma vez, a dormir ao relento, cheguei-me a uma fogueira para aquecer os pés e derreti-lhes a sola. Já esperaram por mim, à porta. Já andaram muito a pé.

Elas estão sempre a gritar-me. Querem Moscovo, India, China, Japão, Argentina, Brasil, querem tanto, tanto, querem mais. E depois discutimos: “E vocês pensam o quê? Que eu não quero?”

Ó mundo que estás aí para mim, quero palmilhar-te. Afinal, és meu. Aceitei casar-me contigo assim que mo pediste. E prometo ser-te fiel até à morte. A ti e às minhas botas velhas e feias.

As minhas botas velhas e feias
As minhas botas velhas e feias
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