O melhor do mundo são as crianças

Acredito que haja, ainda que não perceba como, pessoas que não apreciam Fernando Pessoa. Fernando Pessoa disse que “O melhor do mundo são as crianças.”
Perguntei a uma criança de 5 anos, numa conversa normalíssima e espontânea, qual era a cor de que mais gostava. Num tom de voz também ele normalíssimo e espontâneo, ela prontamente me respondeu que a cor preferida dela é o arco‐íris.

Ver o arco‐íris como uma cor é só para quem sabe. Abri a boca para lhe dizer que o arco‐íris não tem uma cor, mas sim sete. Fechei­‐a a tempo! Tenho de dar graças por isso. Nós, os mais crescidos somos muito ruins (ruins, mesmo ruins) para as crianças. Basta imaginarmos como nos sentimos quando alguém nos tira uma esperança ou um sonho. Quantas vezes não tiramos às crianças, de forma deliberada e descuidada, a vida aos olhos delas?

Sorri‐lhe em jeito de quem quer dizer que ela fez uma boa escolha.

Escolha. Estamos sempre a fazer escolhas. Não acham que era boa ideia se pudéssemos saber qual tinha sido o resultado se tivéssemos escolhido a escolha que não escolhemos? Quero dizer, eu sei que isto é utópico, mas continuo a achar que não é por isso que deixa de ser uma boa ideia.

Por falar em ideia, há uma coisa que um professor me ensinou e que eu faço questão de partilhar com vocês, ainda que não tenham pedido: quando alguém tem uma ideia, por muito disparatada que nos possa parecer, importa, em primeiro, sermos positivos. Frases como “mas isso é impossível”, “isso já existe”, “não vais conseguir avançar”, são extremamente desmotivadoras e fazem a ideia cair por terra e fique por aí esquecida. A não ser, claro, que a ideia seja inventar uma máquina que nos diz como seriam as coisas se optássemos por B e não por A. Esta ideia é para a gaveta. Por agora…

“Agora” é uma das palavras mais imediatas que existe. Agora é já, é agora que estou a escrever este texto, é agora que vocês o estão a ler, é agora que acontece, que importa, que somos, que temos e que não temos. Que fomos e que vamos. “Agora” é um ponto de interrogação porque não sabemos quando acaba, por isso é para ser vivido com intensidade.

Intensidade. Tenho um compromisso com esta palavra. Um dia decidi que queria ter uma palavra, focar‐me nela e fazer com que a minha vida fosse muito direcionada para essa palavra. Não foram precisos mais do que uns segundos para encontrar a palavra da minha vida. Desde que esta palavra passou a fazer parte dos meus dias que eu sou muito mais feliz. Dou de mim muito mais, sinto diferente e sinto melhor, capto com atenção.
Tenham uma “palavra da vossa vida”. Se for boa, basta uma.

Este texto era para ser sobre Fernando Pessoa. Acabou por ser sobre crianças, arco­‐íris, escolhas, ideias, agora e intensidade. Palavras bonitas estas. Palavras que o são porque estão aqui escritas e que o vento não leva.

Era para ser sobre Pessoa e sobre uma frase dele que diz que “nós nunca nos realizamos”. Concordo quase a 100%. Exceto quando somos grandes o bastante para acreditar que o arco­‐íris é uma cor. Todo ele, pela chuva e pelo sol, uma só cor. A cor preferida de uma criança de cinco anos.

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