Um desejo inteiro, do tamanho do mundo

2012: o ano em que eu tive 24 e 25 anos, a flor da idade.

Fiz tudo certo. Tudo.

Comecei o ano de 2012 a comer doze uvas passas, todas ao mesmo tempo.
Pedi desejos que ficaram a meio porque não me queria esquecer do outro que vinha. E enquanto comia as 12 passas, todas ao mesmo tempo, pedi sete ou oito meios desejos. Tinha sete ou oito meios desejos pedidos e os outros sete ou oito meios desejos perdidos.
Comecei por educar‐me a dormir menos. Passei das oito horas (no mínimo) para cinco horas (no máximo) por noite para poder ganhar o meu tempo a viver. Fiquei três dias e três noites sem dormir para conseguir ir à Queima das Fitas e trabalhar no dia a seguir. Foram momentos enormes, gigantes como o concerto dos Coldplay, as Festas do Junho, as Feiras Novas, e Bon Iver.
Foi um Verão inesquecível. Foram os intercâmbios de jovens da Casa da Juventude de Amarante. Foi Madrid e Costa Alentejana para as melhores férias de sempre, com as melhores amigas de sempre. Em 2012 deram‐me um emprego, aceitei­‐o e troquei‐o por outro.
Deitei‐me quando devia estar a levantar­‐me, dancei até ter de tirar o sapato. E fiz a calçada descalça. 2012 foi sair do trabalho e ir direta para a praia, para as últimas e melhores horas de sol. Foram cafés e conversas sem ponta de início e de fim com pessoas de sempre e com pessoas de agora. Com pessoas que são para sempre e com pessoas que já não são.
Foi um ano em que vi algumas – muitas – pessoas dizerem adeus ao país antes de mim. Também foi um ano de reencontros.
E foi o São João. E foi o dia depois. E foi uns meses depois. E foi mais um pôr‐do­‐sol já no Verão de Setembro. Foi dizer adeus, virar as costas, fechar os olhos e lábios a sorrir em meia lua por dois segundos.
Foi quando eu mais sonhei em ir viver para fora. Não se contam pelos dedos as vezes em que eu me imaginei a entrar num avião, de malas feitas, e ir. Chicago nunca me tinha passado pela cabeça. Madrid, Barcelona, Roma e Brasil sim. Mas Chicago, nunca.
Istambul. Viajei muito por Istambul sem nunca lá ter ido.
Fiquei a saber coisas sobre mim. Umas boas outras más, mas eu gosto assim.
Foi uma despedida e um “Olá América”. Chicago, Nova Iorque e Sarah Jessica Parker. Foram muitas horas de Skype.
Foi muita Baixa, muito Porto, muita Amarante.
Foi um turbilhão. Fui uma confusão. Assim como este texto.
Fui muito eu.

O 2012 já foi.

2013: o ano em que eu tenho 25 e vou ter 26 anos. Ainda a flor da idade.
Quero chegar ao fim e dizer que fiz tudo certo. Tudo.

Comecei o ano de 2013 a comer doze uvas passas, todas ao mesmo tempo. E enquanto comia as 12 passas, todas ao mesmo tempo, esforcei­‐me para inventar desejos. Encolhi os ombros, dei­‐me por vencida, e fiz um brinde.
“Quero tanto tudo. Só quero continuar a querer tanto tudo.”

E é assim que eu tenho um desejo. Um desejo inteiro, do tamanho do mundo.

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