A saudade tão nossa, tão portuguesa

Quando estou a escrever este texto, estou dentro do avião, a fazer uma viagem de duas horas, de Nova Iorque a Chicago.
Viajar até Nova Iorque era, já há alguns anos, um dos meus maiores sonhos. Imensas vezes me imaginava a fazer esta viagem e imensas vezes me imaginava a fazer uma viagem sozinha. Mas nunca me imaginei a fazer uma viagem, a Nova Iorque, sozinha.

Há cinco dias atrás, quando cheguei ao aeroporto às quatro da manhã para apanhar o avião para Nova Iorque, quis estar a apanhar um avião para Portugal.
Há uma semana eu escrevia‐vos que ainda não tinha saudades. Mas esta vontade que me deu no coração não pode ter outro nome tão português como a palavra saudade. Passaram duas horas até apanhar o avião e, nessas duas horas, não pensei em Nova Iorque. Pensei em Portugal e na minha chegada ao aeroporto de Sá Carneiro.

Quando cheguei, sexta‐feira de manhã, estranhei. Não tive por Nova Iorque um amor à primeira vista. O primeiro dia foi assim, sempre a meio gás e a meio termo. Passei em Rockfeller Center para ver a gigante árvore de Natal, sentei‐me num banco do Bryant Park para ver centenas de pessoas a fazerem patinagem na pista de gelo, entusiasmei‐me com Times Square e com a 5th Avenue. Mas mais nada. Um dia inteirinho e uma ou duas avenidas. Mais nada. Quando estava quase a apanhar o autocarro para o hotel, dei meia volta, peguei no mapa e assinalei a Broadway. Precisava de dar emoção ao meu primeiro dia de um dos meus grandes sonhos.

Ver um show da Broadway (optei por Mary Poppins pelas boas recordações que me traz) é supercalifragilisticexpialidocious. Ou como quem diz, magia. Foi magia e pós de perlim­‐pim­‐pim do primeiro até ao último segundo de duas horas de espectáculo. Estava, assim, ganho o meu primeiro dia de Nova Iorque.

No sábado, fiz questão de voltar a passar em todas as ruas e avenidas por onde tinha passado no dia anterior. Foi amor à segunda vista. Um amor à segunda vista não tem que ser uma coisa má nem tem que ser, necessariamente, menos amor do que um amor à primeira vista.
Que grandeza! Era sábado e eram milhares e mais milhares de turistas. Famílias inteiras, casais recém­‐casados, grupos de amigos… e nem uma única vez eu vi uma pessoa –­ que me parecesse turista ou viajante – sozinha. Já imaginava que Nova Iorque não era cidade para ir conhecer sozinha. “Mas já que aqui estou, vou aproveitar da melhor maneira que sei e alimentar­‐me de toda esta energia que move esta cidade.”

(continua)

PS: não posso deixar passar sem vos desejar um Santo Natal. Não deixem que a “crise” vos entre em casa e vos roube o sorriso e o espírito natalício que devia durar todo o ano. Porque crise… crise é uma criança ou outro familiar nosso ser atingido num tiroteio enquanto está na escola. Isso é crise. É crise na falta de compaixão e na falta de respeito pela Humanidade. Que essa crise não nos alcance nunca, é tudo o que peço. Um sorriso e um abraço calorosos, é tudo (e se soubessem o tamanho deste abraço veriam que não é pouco) o que vos ofereço.

Galeria de imagens aqui.

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