Nunca me hei‐de esquecer

Nunca me hei‐de esquecer do primeiro episódio que me trouxe para este lado do Atlântico.

Era o fim‐de­‐semana das Feiras Novas, em Ponte de Lima, e eu e mais duas amigas estávamos a desesperar por uma boleia que nos levasse do Porto para lá.

De manhã, mal acordei, coloquei um post no Facebook. “À procura de boleia: alguém que vá levar carro para as Feiras Novas tem lugar para três amigas? É sempre útil para dividir despesas!”

Estava eu a almoçar com o meu patrão e colegas de trabalho quando recebo uma chamada:

‐ Então? Já estás em Ponte de Lima?
­‐ Não, ainda não arranjei boleia…
­‐ Olha, e uma boleia para Chicago, queres?

A partir deste momento, a voz que estava do outro lado começou a ficar cada vez mais ténue. As minhas mãos tremeram, o meu coração acelerou e o meu mundo deixou de seguir a sua órbita natural. Não sei bem o que me disseram que ia fazer, se me disseram sequer quanto ia ganhar ou por quanto tempo ia ser a minha estadia no continente americano.
­

‐ … Chicago…
­‐ Sim, eu aceito! Quando vou?

Uma boleia destas não se pode recusar. Tinha duas semanas até apanhar o avião. “Quando lá estiver vou ter tempo para pensar nas pessoas que eventualmente me poderiam fazer ficar, agora não posso pensar nisso. Quero os prós na minha cabeça, quero só os prós.”

Já há algum tempo que pensava no quanto uma experiência fora de Portugal me ia fazer crescer. Na minha opinião, toda a gente devia procurar viver uns meses fora. Sou apologista de que devemos experimentar uma e outra vez viver fora da nossa zona de conforto. Sejamos desprendidos das coisas. São coisas. Os lugares vão continuar lá e, mais importante, as pessoas, vão lá estar para ouvirem as nossas experiências e para nos contarem o que mudou enquanto estávamos fora.

A noite em Ponte de Lima foi feita de despedidas e de segredos da juventude. Reservei o sábado para contar a novidade à família. À minha Mãe não foi preciso dizer o que quer que fosse, ela leu‐me os olhos: “não precisas de dizer. Vais embora, não vais?” Ao meu Pai… bem, ao meu Pai tirei‐lhe o chão. As duas semanas que se seguiram foram um tanto ou quanto intensas. Ganhei tempo da minha vida ao estar com todas as pessoas que me são imprescindíveis.

Não sei quando vos volto a ver ou quando volto a respirar o ar do meu país. Mas uma coisa eu sei: todos os dias vos tenho comigo e todos os dias, em algum momento, eu regresso a Amarante, ao Porto, a Portugal.

Mãe e Pai, estas palavras são para vocês: não chorem a minha vinda. Eu estou bem, estou feliz. Estou a conhecer um novo mundo e estou a lutar pelos meus sonhos. Quero ser grande e quero que vocês sintam orgulho na filha que criaram. Esta viagem não está a ser um esforço, é antes parte de um caminho. Dou­‐vos a minha palavra de que vou dar o melhor de mim para absorver tudo de bom que este país e estas pessoas têm para me ensinar. Quando sair daqui quero que notem que estou diferente, mas um diferente que não seja o bastante para deixar de ser a vossa menina.

Galeria de imagens aqui.

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